sábado, 24 de agosto de 2013

A Ver Navios

"I'm strong on the surface
Not all the way through
I've never been perfect,
Neither have you"  (Linkin Park - Leave Out All The Rest)




Doentia maneira de se comportar perante tantos problemas, são o que eu carrego através de meu sono fraco em busca de um sonho profundo. Não tenho nem dezessete, mas acho que eu sou da época do videocassete, onde música brasileira dava orgulho e não era apenas barulho, onde os inúteis não tinham desejos inúteis, onde o amor fosse mais brilhante, onde os sonhos fossem um pouco mais radiantes. Em que raios de lugar eu vim parar? Parece até deserto, um resto de pedras pra tudo quanto é canto, um bando de gente em prantos, e uns pedaços de sonhos atirados numa mesa de bar.


Nunca existiram provas de amor para mim, talvez o certo é amar sem ter que provar isso pra ninguém, quem pode julgar o seu amor é você mesmo. Entretanto, aos encantos dos meus desencantos, vejo que falar de amor é uma idiotice tremenda, vindo de minha boca. É a mesma coisa que eu estiver falando de um filme que eu nunca assisti, de um livro que eu não li, de um beijo que nunca consegui. É,então vou fazer de um parágrafo, um perfeito estrago, onde fortalezas se desmoronam, onde desabafos voam, onde dizer é poder, quando não exista quem entenda plenamente o que eu quero dizer.


Perfurei com uma lapiseira um papel que é cheio de lágrimas, e me coloquei em escrever promessas que foram quebradas, os sonhos que eu tive que sacrificar perante situações que me arrependo, as pessoas que deixei para trás só pra me convencer de que o errado é o mundo e não eu. O suor de meu esforço parece ter sido em vão, parece que eu consegui chegar em último apesar de tudo. Eu não consigo mais obter mais força para me machucar, não consigo mais ficar parado esperando que as coisas aconteçam, não consigo mais lembrar que eu sou um idiota.


Tempos como esse, a gente não sabe como reagir perante feridas sendo perfuradas mais e mais por mãos que a gente costumava caminhar pela mesma calçada, não tenho mais noção de certo ou errado perante as minhas lágrimas desesperadas em resolver alguma coisa, meu peito parece inflamar de tanta dor que meu coração clama por piedade. Tudo o que eu pedi, por muito tempo, sempre fora uma mão para segurar e levar pra longe, e não sei se fora por incompetência ou por apenas azar, mas o que eu sei, que isso de nada fora adiantar.


Tantas pessoas eu sempre quis proteger, tantas pessoas eu deixei carregar nas minhas costas em busca talvez de aceitação ou apenas um pedaço de uma breve lembrança, apenas um "bem-vindo" ao entrar na casa dela, e que eu tenha um lugar pra ficar. Tanta gente que eu confiei o que eu mesmo não confiava, segredos que nem eu conhecia ousei falar, memórias que eu já nem lembrava voltei a contar, e histórias que deviam ser como areia e desaparecer, as expus como quadros em um evento de arte. Tanta coisa que eu passei, e nem cheguei aos dezessete.


Outono, verão, inverno ou primavera, não tem diferença pra quem passa todas elas sozinho. Não importa se vai passar enrolado nas cobertas, não vai ter ninguém pra preparar um chá quente pra dividir a xícara, não importa se vai passar lá fora tomando banho com água de mangueira, não terá compainha, e também não importa se vai sair em ruas com folhas secas pra conversar, não tem ninguém que vai compartilhar essa conversa. Não interessa, retorno ao retorno, com a esperança de que encontre uma rodovia que me leve ao fim desta jornada.


Quem eu deveria lembrar, quando eu me sentir vazio, e cheio de lágrimas? Quem eu deveria recorrer quando tudo desmoronar? Sou como uma pedra que é atirada ao mar, só vai mais e mais se afundar. O ar é mais raro do que rarefeito, as coisas que eu jurei nunca ter falado foram as que mais me machucaram. Nunca houve alguém pra me dar um carinho talvez, pra eu descansar de toda essa coisa que eu passo. Minhas feridas e cicatrizes são como de um homem que foi pra guerra, mas deixou as balas numa mochila próxima de uma estação desconhecida.


Alguém consegue me descrever? Alguém pode desenhar mil estrelas numa parede e diga pra mim que são de verdade, que eu irei correndo e me machucarei ao tentar caçá-las. Esses dias eu coloquei um sorriso na parede que eu chamo de rosto, e obtive o mesmo efeito. Tem algo nos meus olhos que me fascina, não são as cores ou qualquer coisa, é o mar que há lá dentro. Mar de lágrimas, já ouviu falar? Se olhar fixamente bem perto, verá um oceano, maior que o Atlântico talvez, feito de lágrimas que acumulei por tanto tempo. E eu fico a ver alguns navios por lá, dizem que as pessoas deles um dia vão voltar. Aí eu dou risada, aí eu duvido.

1 comentários:

eva gessica disse...

Perfeitamente perfeito (:

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